Haja coração!
Muito trabalho, pouca atividade física e alimentação errada maltratam o órgão mais importante do corpo humano
O coração dos catarinenses anda mal. A rotina diária de grande parte da população, com sobrecarga de trabalho, o conseqüente estresse e falta de tempo para lazer e atividades físicas preocupam os especialistas no órgão mais importante do corpo humano.
Neste domingo, Dia Mundial do Coração, o assunto ganha ainda mais força. Só em 2003, ano da última atualização dos dados do Sistema Único de Saúde (SUS), 2,7 mil pessoas morreram em Santa Catarina por doenças cardiovasculares.
No Brasil, o total de óbitos na rede pública foi de 83.194, superando em quase 1,7 mil o número de 2002. Para se ter uma idéia, no Rio Grande do Sul foram registradas 7,6 mil ocorrências, 5.984 no Paraná e 25.643 em São Paulo.
Segundo Harry Corrêa Filho, médico cardiologista e diretor geral do Instituto de Cardiologia em São José, a situação do Estado não é muito diferente da do restante do país. Falta de cuidado com a saúde e com a alimentação, excesso de peso e hábito de fumar são os principais veículos das doenças cardiovasculares, alerta.
- A tendência do ser humano é procurar a enfermidade. Caminhamos sempre para uma rotina desgastante e sobra pouco tempo para os exercícios físicos - argumenta o médico, ao lembrar que somente 20% dos catarinenses praticam atividade esportiva regular.
A falta de exercícios foi um dos fatores que levou Evaldo Salvador Pereira, 47 anos, a sofrer um infarto no último dia 2. O vendedor ambulante chegou em casa à noite, após mais uma jornada de serviço, e adormeceu em frente à televisão, no sofá da sala. Às 5h, ele acordou sentindo uma dor intensa no peito.
"Senti uma agonia, na hora não sabia o que era"
- Senti uma agonia. Na hora não sabia o que era, não pensei que fosse o coração - relata.
Depois do susto, Evaldo largou o cigarro, um vício de 30 anos. O cardápio saudável, que não era o seu forte, vai ganhar mais atenção. O vendedor já entrou em contato com uma nutricionista para saber o que pode e o que não pode comer.
A falta de preocupação com o coração também atingiu o seu companheiro de quarto no Instituto de Cardiologia. Laerte Libório Campos, 60 anos, sentiu uma leve pressão na região do tórax e resolveu procurar um médico. Descobriu que tinha três artérias do órgão entupidas e que precisava colocar três pontes de safena.
- Minha alimentação era ruim, baseada em muita gordura e pouca salada - afirma.
Para Laerte, o futuro reserva mudanças e um cuidado específico com a saúde. O vendedor ambulante também tem projetos para começar a praticar alguma atividade física a fim de não ter de passar novamente pela traumática experiência.
Autor: GUSTAVO JAIME
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